CRIARTE no II Iberoconstruct: Estaleiros Digitais e BIM
- construcaocriarte
- 30 de jan.
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Apresentação do evento e mensagem da mesa
O primeiro dia do II Iberoconstruct – Encontro Ibero-Brasileiro da Construção reuniu decisores públicos, empresas e universidades na Universidad Politécnica de Madrid para debater a evolução do setor através da industrialização, da inovação tecnológica, da sustentabilidade e da modernização dos modelos contratuais.
Na sessão inaugural, com intervenções de José Miguel Atienza, Miguel Ángel Carrillo, Fernando Santos e Humberto Varum, ficou evidente a necessidade de melhorar a produtividade, reforçar a previsibilidade dos projetos e modernizar os processos de obra pública.

O setor da construção em Espanha — Julián Núñez
Na sua intervenção, Julián Núñez destacou os desafios económicos e regulatórios que moldam o setor espanhol, sublinhando a importância do investimento sustentado em infraestruturas e da manutenção do parque edificado existente.

O projeto-mãe do CRIARTE, FORTIS, contempla um piloto liderado pela VIAS que aborda a robotização da manutenção dos carris de metro de Madrid.
Perspetivas de Portugal e Brasil — Humberto Varum e Fernanda Fernandes Marchiori
As intervenções de Humberto Varum e de Fernanda Fernandes Marchiori trouxeram uma leitura comparativa dos contextos regulatórios e operacionais em Portugal e no Brasil, incluindo os desafios específicos das empreitadas públicas.
A diversidade de enquadramentos legais e produtivos reforça a importância de plataformas digitais que integrem planeamento, execução e controlo em tempo real, permitindo às equipas de obra operar sobre uma base comum de informação — um dos pilares do gémeo integral que o CRIARTE pretende desenvolver.
Mesa-redonda: dinâmicas do setor — moderação de Carlos Ursúa
Moderada por Carlos Ursúa, a mesa reuniu Concha Santos, Esther Ahijado, Fernanda Fernandes Marchiori e Jorge Moreira da Costa, debatendo industrialização, governação e internacionalização.
O debate sublinhou a importância de registos técnicos fiáveis e processos colaborativos, apontando para estaleiros digitais capazes de simular sequências construtivas e antecipar riscos.
Inovações na indústria da construção — Carlos Martínez Bertrand
Carlos Martínez Bertrand destacou o papel dos ecossistemas de inovação e dos projetos-piloto na aceleração da transferência tecnológica para a prática industrial.
O CRIARTE enquadra-se neste movimento ao explorar a integração de robótica, inteligência artificial e gémeos digitais como infraestrutura operacional da obra.

Industrialização e robótica: construção modular 3D — Rui Garcia
Na sua intervenção, Rui Garcia apresentou a estratégia da Garcia, Garcia S.A. através da AMB, bem como os desafios associados à pré-fabricação de módulos 3D de apartamentos.
As questões levantadas sobre tolerâncias geométricas, interfaces entre sistemas e controlo de qualidade evidenciam que, embora a modularidade esteja a avançar, muitos produtos ainda não foram concebidos para assemblagem robótica em estaleiro — um dos temas que o CRIARTE identifica como crítico para o futuro da automação na construção.

Comunicar a sustentabilidade: passaporte digital de produtos — Pedro Mêda
A apresentação de Pedro Mêda focou-se na rastreabilidade de materiais e na comunicação do desempenho ambiental ao longo do ciclo de vida.
Estas bases de dados estruturadas tornam-se relevantes para o CRIARTE enquanto camada informacional do gémeo digital da obra, ainda que o projeto não vise desenvolver esta componente explicitamente.

Novos materiais — Jaime Gálvez
A sessão conduzida por Jaime Gálvez abordou soluções emergentes e a necessidade de validar o seu comportamento real em contexto de obra.
O destaque vai para o desenvolvimento de soluções que contrariem fenómenos de degradação de betão por agentes exteriores como a carbonatação e a corrosão de armaduras cumprindo as metas de redução da pegada de carbono.

BIM e gémeos digitais — Marcos García
Na sessão dedicada ao BIM, Marcos García destacou a evolução para gémeos digitais de grande escala, com exemplos superiores a 200 000 objetos interligados.
Esta abordagem demonstra como os gémeos digitais estão a tornar-se plataformas centrais para a gestão da construção — alinhando-se com a ambição do CRIARTE de manter o estaleiro (e o futuro ativo) permanentemente sincronizado com o modelo virtual.

Mesa-redonda: O futuro da construção — moderação de Tiago Teixeira Martins
Moderada por Tiago Teixeira Martins, a mesa contou com Hipólito Sousa, Francisco Reis, Gómez Hermoso, Antonio Gómez e Antonio Ramírez, discutindo inovação, financiamento e adoção tecnológica.
O debate sublinhou que a escalabilidade de soluções digitais exige competências de novos quadros que escasseiam, enquadramento regulatório e projetos demonstradores.

Conclusão
O Dia 29 do II Iberoconstruct confirmou que a industrialização e a digitalização estão no centro da transformação do setor.
As sessões sobre modularização, BIM, sustentabilidade e governação convergiram na necessidade de ambientes digitais integrados que melhorem a produtividade, a segurança e a previsibilidade.
É neste quadro que o CRIARTE se posiciona: investigando como estaleiros inteligentes suportados por gémeos digitais integrais — representando edifícios, materiais, trabalhadores e equipamentos — podem contribuir para uma construção mais eficiente e preparada para o futuro.



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